<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823</id><updated>2011-12-11T14:52:07.524-08:00</updated><title type='text'>A Rosa do Povo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-7858331879362606665</id><published>2011-12-11T14:51:00.001-08:00</published><updated>2011-12-11T14:52:07.540-08:00</updated><title type='text'>A transcendência mora no seu olhar...</title><content type='html'>Eu não existo para além de ti.&lt;br /&gt;Isto é algo que já tenho claro.&lt;br /&gt;Mas não pense que é porque quando você passa&lt;br /&gt;o seu cheira sublima todos os aromas ao redor&lt;br /&gt;e a rosa&lt;br /&gt;(Pobre rosa!)&lt;br /&gt;Num instante deixa de ser rosa&lt;br /&gt;e tem roubado o que existe de mais seu &lt;br /&gt;essencialmente.&lt;br /&gt;Não. Não é porque quando você passa&lt;br /&gt; o céu deixa de ser céu&lt;br /&gt;pois a transcendência &lt;br /&gt;deixa de morar no horizonte&lt;br /&gt;e passa a habitar o teu olhar.&lt;br /&gt;Nem é porque o sol&lt;br /&gt;perde todo o seu brilho&lt;br /&gt;e vai se esconder, tímido,&lt;br /&gt;no poente&lt;br /&gt;para não ser ofuscado pelo brilho que &lt;br /&gt;emana do teu sorriso.&lt;br /&gt;Nem é porque o ar&lt;br /&gt;perde a fala,&lt;br /&gt;o vento perde a respiração&lt;br /&gt;nem porque os pássaros&lt;br /&gt;decidem que voar perdeu o sentido.&lt;br /&gt;Não é porque a lua&lt;br /&gt;se esconde atrás das nuvens&lt;br /&gt;triste&lt;br /&gt;por não poder te namorar.&lt;br /&gt;Não. Não penses que roubas a beleza das coisas.&lt;br /&gt;As coisas é que só existem para te servir&lt;br /&gt;como pano de fundo.&lt;br /&gt;O universo, papel de parede, paisagem&lt;br /&gt;para tudo o que existe&lt;br /&gt;Você.&lt;br /&gt;As coisas só existem, &lt;br /&gt;não penses que é para te dar o prazer de contemplá-las.&lt;br /&gt;Não. É para dar à elas o falso prazer &lt;br /&gt;de serem contempladas por você.&lt;br /&gt;Sendo que na realidade&lt;br /&gt;São elas que te contemplam.&lt;br /&gt;É o ar que te respira.&lt;br /&gt;É você que exala o perfume das rosas.&lt;br /&gt;E o sol apenas reflete o brilho que emana do teu ser.&lt;br /&gt;E eu só tenho consciência de que existo&lt;br /&gt;porque posso ver meu sorriso &lt;br /&gt;refletido no teu olhar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Audrei Teixeira &lt;br /&gt;10/12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-7858331879362606665?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/7858331879362606665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/12/transcendencia-mora-no-seu-olhar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/7858331879362606665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/7858331879362606665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/12/transcendencia-mora-no-seu-olhar.html' title='A transcendência mora no seu olhar...'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-492017488655837395</id><published>2011-12-11T14:32:00.000-08:00</published><updated>2011-12-11T14:33:23.344-08:00</updated><title type='text'>Se você soubesse o quanto eu te amo...</title><content type='html'>Ah! Se todas as pessoas soubessem&lt;br /&gt;que o que elas tem de melhor&lt;br /&gt;é essa capacidade de se perder&lt;br /&gt;de se entregar totalmente&lt;br /&gt;sem sair do lugar.&lt;br /&gt;Ah! Se o mundo todo soubesse &lt;br /&gt;Que o que há de melhor em mim&lt;br /&gt;é essa necessidade de não existir&lt;br /&gt;para além de ti.&lt;br /&gt;Ah! Se você soubesse&lt;br /&gt;que o que há de melhor em ti&lt;br /&gt;é essa capacidade&lt;br /&gt;de converter um gesto&lt;br /&gt;num sorriso.&lt;br /&gt;Se todas as pessoas soubessem&lt;br /&gt;todas, você, todo mundo&lt;br /&gt;soubesse intensamente,&lt;br /&gt; como eu sei agora&lt;br /&gt;que não é preciso saber nada.&lt;br /&gt;Não. Nem é possível saber coisa alguma&lt;br /&gt;e que isso pouco importa, aliás.&lt;br /&gt;Porque toda a racionalidade foge ao seu lado.&lt;br /&gt;e a razão se deita sob os seus pés&lt;br /&gt;quando você passa&lt;br /&gt;para ser esmagada&lt;br /&gt;pelo seu fulgor.&lt;br /&gt;E que eu, &lt;br /&gt;se pudesse escolher&lt;br /&gt;entre ser racional, &lt;br /&gt;sábia, pretensa filósofa&lt;br /&gt;e compreender &lt;br /&gt;as finalidades mesquinhas dessa existência vil&lt;br /&gt;jogava tudo isso na lata do lixo&lt;br /&gt;e determinava&lt;br /&gt;que o amor existe&lt;br /&gt;apenas para ser amado&lt;br /&gt;que o amor jamais pode ser questionado&lt;br /&gt;e principalmente&lt;br /&gt;que uma força como essa &lt;br /&gt;que não pode ser compreendida&lt;br /&gt;que não pode ser questionada&lt;br /&gt;que não pode ser racionalizada&lt;br /&gt;não poderia, jamais,&lt;br /&gt;ser negada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Audrei Teixeira &lt;br /&gt;   10/12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-492017488655837395?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/492017488655837395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/12/se-voce-soubesse-o-quanto-eu-te-amo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/492017488655837395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/492017488655837395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/12/se-voce-soubesse-o-quanto-eu-te-amo.html' title='Se você soubesse o quanto eu te amo...'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-6797271419285094119</id><published>2011-05-23T11:31:00.000-07:00</published><updated>2011-05-23T11:33:54.853-07:00</updated><title type='text'>Fora Bolsonaro!</title><content type='html'>Bancada evangélica consegue barrar a votação da PLC 122/06&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Hoje (11/05/2011), a comissão de direitos humanos do Senado realizou a votação do projeto de lei complementar 122/06 que criminaliza os atos de homofobia, este projeto já está há mais de 10 anos no congresso. A idéia era modificar a lei que criminaliza os atos de racismo, incluindo nela também os atos de homofobia.&lt;br /&gt; A aprovação do PLC 122/06 é uma reivindicação histórica dos grupos que defendem os direitos dos cidadãos LGBTs, a idéia é que a provação da lei ajude a diminuir o caso de violências contra homossexuais.&lt;br /&gt; O Brasil é o campeão mundial de crimes contra homossexuais, sendo que a cada dois dias, um homossexual é assassinado no país.&lt;br /&gt; Porém, a bancada evangélica realizou um protesto durante a votação, impedindo que a lei fosse aprovada.&lt;br /&gt; À frente da bancada evangélica estava ninguém menos que o Deputado Jair Bolsonaro, conhecido pelos seus discursos racistas e homofóbicos. Este ano os grupos de defesa dos direitos humanos, incluindo os grupos LGBTs realizaram manifestações exigindo a cassação do mandato deste deputado, por entender que um indivíduo que comete atos de racismo e homofobia, promovendo a violência contra estes grupos, como ele faz em seus discursos, não tem condições de legislar em nome do povo, pois não tem compromisso com os direitos humanos.&lt;br /&gt; Entre os mais famosos comentários preconceituosos de Bolsonaro estão:&lt;br /&gt; “Tenho saudades de pessoas sérias como Médici, Geisel e Figueiredo”.&lt;br /&gt;“Eu não iria em passeata gay pois eu não promovo os maus costumes, até porque acredito em Deus , eu tenho família e a família deve ser preservada a qualquer custo”.&lt;br /&gt;“Quando um filho começa a ficar assim, meio ‘gayzinho’, é só levar um ‘couro’ que ele muda o comportamento dele”.&lt;br /&gt; Até quando vamos permitir, que pessoas assim, abertamente racistas, homofóbicas e que ainda defendem o regime militar fiquem no poder?&lt;br /&gt; Quanto à atitude da bancada evangélica, ela é qualquer coisa, menos cristã, além de contrariar o princípio dos direitos humanos, a democracia, os direitos civis e tudo o que existe de civilizado em termos de organização social, ela também contraria um dos princípios fundamentais do cristianismo: o da tolerância ao próximo. É no mínimo pouco cristão, permitir que atos de violências aconteçam contra certa parcela da população e não fazer nada para impedi-los, esta é sem dúvida a maior contradição dos evangélicos, ninguém pode se autodefinir cristão permitindo e incentivando a intolerância.&lt;br /&gt; Portanto, peço que qualquer cidadão consciente e compromissado com os direitos humanos que, por ventura vier a ler este pequeno desabafo (apelo, súplica, manifesto, chamem do que for) faça a gentileza de encaminhá-lo para o maior número de pessoas possíveis. A informação é nossa principal arma contra a ignorância e o preconceito.&lt;br /&gt; Peço também que a população se mobilize contra a postura preconceituosa do Deputado Bolsonaro exigindo a cassação do seu mandato. Afinal, se não é para legislar em nome do povo (e o povo inclui os homossexuais e os negros) então que não legisle em nome de ninguém. &lt;br /&gt; Por fim, fica o ato de repúdio à postura da bancada “evangélica”, e segue a luta pela aprovação da PLC 122/06 e contra qualquer forma de violência e discriminação, contra qualquer indivíduo, em qualquer lugar do planeta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                            Audrei Teixeira&lt;br /&gt;                                                    http://blogarosadopovo.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora Bolsonaro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo a atitude conservadora da bancada “evangélica”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela aprovação da PLC 122/06!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra todo o tipo de opressão e violência! Por um mundo mais humano, mais justo e mais fraterno!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-6797271419285094119?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/6797271419285094119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/05/fora-bolsonaro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/6797271419285094119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/6797271419285094119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/05/fora-bolsonaro.html' title='Fora Bolsonaro!'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-1728411156164404892</id><published>2011-05-08T17:44:00.000-07:00</published><updated>2011-05-24T07:06:38.743-07:00</updated><title type='text'>Eu não quero uma vida Fast food!</title><content type='html'>Eu não quero uma vida fast food.&lt;br /&gt;Não vou fazer amor com seu dinheiro.&lt;br /&gt;A minha alma não está a venda no mercado.&lt;br /&gt;meus medos não flutuam com o câmbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero uma vida financiável.&lt;br /&gt;Viver aos poucos em suaves prestações.&lt;br /&gt;Fingindo orgasmos&lt;br /&gt;Fingindo que sou o que não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou viver dando risadas falsas&lt;br /&gt;Nem ocultando o choro &lt;br /&gt;Reprimindo o grito&lt;br /&gt;A minha fúria não é negociável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou vender meu tempo baratinho&lt;br /&gt;Mais uma peça na linha de produção&lt;br /&gt;Não vou deixar que me tratem como máquina&lt;br /&gt;e atirem ao lixo o que ainda me resta de humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus momentos de prazer e de orgia&lt;br /&gt;Minhas horas de choro e de alegria&lt;br /&gt;Isto eu não vendo, não troco, não financio.&lt;br /&gt;Eu só dôo, empresto, e compartilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os juros do que não se fez&lt;br /&gt;São exorbitantes&lt;br /&gt;E um sonho não consumado&lt;br /&gt;É impagável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se quita uma dívida com a vida.&lt;br /&gt;Credora implacável&lt;br /&gt;ela não aceita nenhum pagamento&lt;br /&gt;além de si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                     (Audrei Teixeira)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-1728411156164404892?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/1728411156164404892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/05/eu-nao-qeuro-uma-vida-fast-food.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/1728411156164404892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/1728411156164404892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/05/eu-nao-qeuro-uma-vida-fast-food.html' title='Eu não quero uma vida Fast food!'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-6178670475145778443</id><published>2011-05-08T17:08:00.000-07:00</published><updated>2011-05-08T17:09:16.296-07:00</updated><title type='text'>Releitura</title><content type='html'>Escrever! Escrever!&lt;br /&gt;Escrever até que o mundo acabe!&lt;br /&gt;O mundo inteiro desabando&lt;br /&gt;E o poeta ali sentado.&lt;br /&gt;Coitado!&lt;br /&gt;Mas, &lt;br /&gt;já não lhe basta cantar as próprias dores&lt;br /&gt;Quer ainda cantar as dores alheias?&lt;br /&gt;Já não lhe basta viver a própria angústia,&lt;br /&gt;deve ainda ele incomodar-se da misteriosa condição humana?&lt;br /&gt;Da nebulosa condição humana?&lt;br /&gt;Da degradante condição humana?&lt;br /&gt;Mas, e quando estancar o sangue do último ferido?&lt;br /&gt;E quando parar de ressoar o último estampido,&lt;br /&gt;da última bala perdida&lt;br /&gt;no meio de uma guerra qualquer &lt;br /&gt;ou ainda em tempos de paz? &lt;br /&gt;(mas se trata da pax romana?&lt;br /&gt;deve ser uma releitura)&lt;br /&gt;E quando calar o último grito&lt;br /&gt;do fundo de um porão gelado&lt;br /&gt;em um país qualquer da América?&lt;br /&gt;Latina. Ou não.&lt;br /&gt; E quando explodirem as últimas bombas?&lt;br /&gt;Não será apenas uma releitura daquela primeira explosão?&lt;br /&gt;Aquela que deu origem ao universo &lt;br /&gt;E que se repete todos os dias&lt;br /&gt;Na cólera convulsiva&lt;br /&gt;Na voz de uma diva do jazz&lt;br /&gt;No grito de um manifestante contra a guerra no Iraque&lt;br /&gt;ou no Afeganistão&lt;br /&gt;No gozo de um casal de amantes&lt;br /&gt;Sejam eles hetero ou não.&lt;br /&gt;Pouco importa.&lt;br /&gt;Aquela explosão que deu origem ao primeiro instante&lt;br /&gt;E que, dizem, se propaga infindamente, &lt;br /&gt;dando origem ao universo &lt;br /&gt;o qual, segundo consta,&lt;br /&gt;ainda está em expansão desde bilhões de anos&lt;br /&gt;e por bilhões de anos ainda mais.&lt;br /&gt;Mas, atenham-se àquele primeiro instante!&lt;br /&gt;O da explosão&lt;br /&gt;Não será ele o mesmo instante em que o poeta escreve agora?&lt;br /&gt;Quanto tempo dura um instante?&lt;br /&gt;Os físicos não saberiam explicar&lt;br /&gt;Qual a duração de um momento?&lt;br /&gt;Eis uma grande questão sobre a qual se debatem filósofos &lt;br /&gt;sem, no entanto, chegarem à conclusão alguma.&lt;br /&gt;Eis a função do poeta.&lt;br /&gt;Demonstrar a simultaneidade do tempo&lt;br /&gt;Fazer ouvir o grito que já se calou,&lt;br /&gt;Gritar a ferida que já se curou,&lt;br /&gt;Trazer lá do fundo da alma&lt;br /&gt;à zona mais clara do consciente &lt;br /&gt;as maiores angústias ancestrais&lt;br /&gt;E mostrar que ainda se sente o medo &lt;br /&gt;que nos fez chorar na noite passada.&lt;br /&gt;Aliás, que sempre se sentiu &lt;br /&gt;E sempre se sentirá.&lt;br /&gt;Pois tudo o que foi ainda será eternamente&lt;br /&gt;Com diz a lei do eterno retorno&lt;br /&gt;Mas não exatamente igual&lt;br /&gt;Como uma releitura&lt;br /&gt;Escrita por um poeta bêbado&lt;br /&gt;Sentado no boteco mais degradado&lt;br /&gt;Cercado de prostitutas,&lt;br /&gt;Aliás, de uma nobreza de caráter invejável.&lt;br /&gt;“Não é possível escrever poesia depois de Auschwitz” – dizia o filósofo&lt;br /&gt;Pois é exatamente depois de Auschiwitz que a poesia se torna possível&lt;br /&gt;E necessária&lt;br /&gt;Para mostrar que auschiwitz nunca acabou e nunca acabará&lt;br /&gt;Para não permitir que se esqueçam os gritos &lt;br /&gt;E os gemidos.&lt;br /&gt;Mas e as bombas?&lt;br /&gt;E quanto às bombas,&lt;br /&gt;Elas não acabarão de uma vez por todas com a humanidade?&lt;br /&gt;De que vale escrever poesia então?&lt;br /&gt;Isso não vai fazer diminuir o preço do pão.&lt;br /&gt;Nos tornará mais livres talvez.&lt;br /&gt;Ou não.&lt;br /&gt;É importante lembrar que um dia existiu o amor,&lt;br /&gt;Sim, existiu o amor,&lt;br /&gt;Mas isso já faz muito tempo,&lt;br /&gt;Foi na década de 60&lt;br /&gt;Antes do vírus.&lt;br /&gt;Mas ainda restam fragmentos desse amor, &lt;br /&gt;em pedaços de guardanapos&lt;br /&gt;e em grãos de areia escondidos sob as ruas de Paris.&lt;br /&gt;E o que resta da vida senão a epígrafe?&lt;br /&gt;O poema nada mais é que uma epígrafe então:&lt;br /&gt;“Aqui jaz a humanidade,&lt;br /&gt;Sucumbiu sobre o jugo de sua própria ganância,&lt;br /&gt;Fruto de sua ignorância&lt;br /&gt;E de sua inteligência,&lt;br /&gt;Que é sua contraparte.&lt;br /&gt;Padeceu sob a tirania de si mesma&lt;br /&gt;Em que homens dominavam homens,&lt;br /&gt;Dominavam mulheres&lt;br /&gt;E maltratavam as crianças&lt;br /&gt;Destruíram tudo o que o universo pôde criar de mais belo&lt;br /&gt;Mataram suas divindades&lt;br /&gt;Às quais deram vários nomes,&lt;br /&gt;Mas que poderiam ter chamado somente de Natureza.&lt;br /&gt;Venderam seu tempo, suas virtudes, sua dignidade, &lt;br /&gt;Trocaram por um pedaço de papel &lt;br /&gt;Que eles trocavam por mercadorias&lt;br /&gt;Num lugar chamado mercado.&lt;br /&gt;Criaram leis que restringiam sua liberdade,&lt;br /&gt; coibiam os amores &lt;br /&gt;e proibiam a felicidade.&lt;br /&gt;Aqui jaz a humanidade.”&lt;br /&gt;Eis a epígrafe, &lt;br /&gt;Eis o poema.&lt;br /&gt;No mesmo instante em que tudo se dissipa, &lt;br /&gt;ele faz uma releitura &lt;br /&gt;implacável&lt;br /&gt;das ruínas ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                  (Audrei Teixeira)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-6178670475145778443?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/6178670475145778443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/05/releitura_08.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/6178670475145778443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/6178670475145778443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2011/05/releitura_08.html' title='Releitura'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-5439448673173295133</id><published>2009-08-21T17:26:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T17:27:43.520-07:00</updated><title type='text'>Resenha: Teses sobre o conceito de História de Walter Benjamim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Walter Benjamim nos propõe um método historiográfico baseado num materialismo histórico não ortodoxo, ou seja, que não deixe de levar em consideração as questões subjetivas da humanidade, suas questões “espirituais”. Ele propõe uma fusão do materialismo com a teologia, ou seja, uma visão da história que não leve em conta apenas a “luta pelas coisas brutas e materiais”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, as necessidades materiais não excluem as necessidades espirituais (morais, subjetivas), uma vez que matéria e espírito (entendido aqui como a alma, a subjetividade do ser) são indissociáveis.&lt;br /&gt;            A luta de classes é o eixo a partir do qual Benjamim analisa a história, para ele “O cronista que narra os acontecimentos, sem distinguir entre os grandes e os pequenos, leva em conta a verdade de que nada do que um dia aconteceu pode ser considerado perdido para a história”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;, a história é vista do ponto de vista dos vencidos e somente redimida da sua exploração e opressão a humanidade poderá apropriar-se totalmente de seu passado.&lt;br /&gt;            Na própria luta de classes está inserida uma série de valores que não são apenas materiais, como a confiança, a coragem, o humor, a astúcia e a firmeza.&lt;br /&gt;            O passado não pode ser apreendido tal como ele foi, ele é apreendido do ponto de vista do presente, “o passado só se deixa fixar como imagem que relampeja irreversivelmente (...)”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;, a história é uma releitura do passado a partir do presente. Benjamim aponta esta como mais uma diferença entre o materialismo histórico e o historicismo que enxerga o passado como uma sucessão de acontecimentos, um decorrente do outro.&lt;br /&gt;            Conhecer o passado é “apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;, o perigo, no caso, é entregar-se as classes dominantes como seu instrumento, quando o inimigo vence este se apropria do passado, se apropria da história como uma forma de dominação. E Benjamim deixa claro que o inimigo não tem cessado de vencer, nada mais verdadeiro para quem assistiu a ascensão do nazi-fascismo.&lt;br /&gt;            A função do passado é também a de tirar as pessoas do conformismo.&lt;br /&gt;            O materialismo histórico rompe com a concepção de história que tenta compreender uma época sem levar em conta o que veio depois, esta concepção da história, o historicismo, se baseia na empatia com os vencedores, empatia esta que serve à dominação.&lt;br /&gt;            Os bens culturais são os despojos desta dominação, “nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;, se se compreende a história do ponto de vista dos vencidos, pois os bens culturais não se devem apenas à habilidade de gênios mais também à exploração de milhares de anônimos.&lt;br /&gt;            A história é a história da barbárie e da exploração, estas não são exceção e sim a regra, é necessário “construir um conceito de história que corresponda a essa verdade”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;, ou seja, um conceito de história do ponto de vista dos vencidos, dos excluídos, dos dominados, é necessário também criar um estado de exceção na história, este estado de exceção seria a tomada do poder pelos vencidos e o fim da exploração e da opressão, ou seja, a Revolução.&lt;br /&gt;            A história deve ser compreendida como uma totalidade e não como um encadeamento de acontecimentos, o anjo da história está afastado daquilo que ele encara fixamente, ele encara a história de outra perspectiva, a partir do presente.&lt;br /&gt;            Benjamim critica a visão progressista da História, e compreende que a história até então tem sido construída a partir dessa concepção, o progresso, contudo, não fez mais do que ruínas e se permanecer levará a humanidade à destruição.&lt;br /&gt;            Ele critica também os “adversários do fascismo” aos quais chama de traidores, estes adversários do fascismo são os stalinistas e seus partidos comunistas, bem como o Estado Soviético. Em 1940 já estava claro o caráter totalitário do regime soviético, e às diversas traições dos partidos comunistas, Benjamim assistiu a mais terrível: o pacto de não agressão entre a Alemanha nazista e a URSS.&lt;br /&gt; Critica também a social democracia tanto por seu conformismo quanto por sua fé no progresso, a social democracia corrompeu a classe trabalhadora com sua visão positiva do progresso técnico industrial e com a sua moral do trabalho, é na moral do trabalho e na visão progressista da sociedade, e Benjamim compreende isso muito bem, que residem os princípios da tecnocracia que levam ao fascismo.&lt;br /&gt;             A crítica de Benjamim ao trabalho se refere também à relação depredatória deste com a natureza, à relação utilitária da natureza pela sociedade em nome do progresso técnico e da produção de mercadorias.&lt;br /&gt;            “O sujeito do conhecimento histórico é a própria classe combatente e oprimida”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt;, sua tarefa é a de consumar sua libertação em nome das gerações passadas ao contrário do que diz a social democracia, que lhe atribui a tarefa de salvar as gerações futuras.&lt;br /&gt;            A história não é um tempo vazio e homogêneo, mas um tempo saturado de “agoras”, o passado é revisitado do ponto de vista do presente, a revolução é a ruptura com o continuum da história.&lt;br /&gt;            Benjamim também discute a questão do tempo, ele opõe o tempo do calendário, que é o tempo da história, com seus feriados e suas rememorações ao tempo do relógio que é um tempo mecânico, o tempo da opressão, da produção capitalista.&lt;br /&gt;Ao contrário do historicismo que tem uma visão de história universal, que segundo Benjamim, não tem armação teórica mas se ampara na massa dos fatos, o materialismo histórico tem um princípio construtivo, ele avalia tanto o movimento de idéias quanto a imobilidade destas, o que representa um choque, uma imobilização messiânica dos acontecimentos, uma oportunidade de ruptura, de revolução.&lt;br /&gt;            Por fim, o tempo de agora é uma síntese de toda a história da humanidade, em que a memória dos oprimidos deve ser resgatada pelo presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                      *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Walter Benjamim traz de volta à vida o materialismo histórico quando o complementa com uma visão messiânica. Sem a teologia o materialismo não é mais que um autômato, um modelo determinista de explicação da história, que não rompe com a visão evolucionista de progresso.&lt;br /&gt;            O materialismo por si só (sem com isso querer negar os seus méritos e suas contribuições) subjuga o indivíduo e a humanidade a determinações econômicas, sem levar em conta que a própria economia também é uma construção cultural, já que a economia é a natureza transformada por uma comunidade de acordo com seus ritos, e seus costumes, além de suas necessidades.&lt;br /&gt;            Complementando o marxismo com uma visão teológica, Benjamim traz de volta o Humanismo ao marxismo, pode parecer contraditório afirmar que a partir da teologia se trata das questões humanas, mas é exatamente isso o que ocorre com esta obra de Benjamim, que propõe uma visão da história a partir das pessoas, e de um grupo determinado de pessoas, os vencidos.&lt;br /&gt;Embora, esta visão determinista e progressista da história seja fruto mais dos políticos traidores que Benjamim critica, stalinistas e social-democratas, que do próprio Marx, Benjamim vai além de Marx, complementando o materialismo com o messianismo que lhe faltava.&lt;br /&gt;Benjamim é inovador ao propor uma história do ponto de vista dos vencidos, isto é mais do que simplesmente lançar um olhar sobre os que ficaram excluídos dos textos da história oficial, na realidade o que ele propõe é que é uma “história vista de baixo” de fato, é trazer à luz o ponto de vista daqueles que fizeram a história com seu trabalho (escravo, servil, industrial) e seu sofrimento, e trazer à tona uma tarefa para o presente, a libertação desses vencidos da história, em nome de todos os vencidos que não tiveram seus nomes gravados em documentos e nem tiveram estátuas erguidas em seu nome.&lt;br /&gt;Décadas antes de os teóricos começarem a compreender (um processo que começou mais ou menos em 1968, mas que só se consolidou após 1989) o perigo de uma visão progressista e evolucionista, Benjamim já tinha claro que o progresso, e a barbárie que era fruto deste, eram a regra na história, ele viveu para ver por qual caminho o progresso industrial e o tecnicismo levariam a humanidade: ao nazi-fascismo.&lt;br /&gt;Quanto a sua visão de que o progresso levaria a humanidade à ruína, a história nos deu inúmeros exemplos do quanto ele estava (e está) correto.&lt;br /&gt;Ele compreendeu muito antes de muitos os impactos deste progresso e da moral do trabalho sobre a natureza, por exemplo.&lt;br /&gt;Além de servir à exploração de uma classe sobre a outra, a moral do trabalho serve também para justificar a exploração da natureza (assim como o fetichismo da mercadoria serve para justificar a moral do trabalho, trabalha-se para consumir), contudo, os altos índices de produção, fruto dos “avanços” técnicos da segunda revolução industrial, que permitiriam uma jornada de trabalho reduzida, não são utilizados com o fim de atenuar o fardo das classes trabalhadoras e sim de aumentar a extração de sua mais valia relativa e de aumentar a produção para níveis impossíveis de consumo, os impactos dessa “superprodução” na natureza estão cada vez mais nítidos hoje, Benjamim já apontava isso em 1940.&lt;br /&gt;Outra contribuição importante de Benjamim é sua crítica tanto à traição stalinista, quanto ao conformismo social-democrata, o que demonstra que mesmo fazendo revisões no marxismo (o que não é um crime, como condenam os stalinistas) ele mantém sua radicalidade como revolucionário.&lt;br /&gt;Isso é tão claro em sua obra, principalmente quando ele aponta o “salto dialético da revolução” como a única maneira possível de romper o contínuo da história, e de criar um estado de exceção, já que a regra é a barbárie e a exploração, frutos do progresso.&lt;br /&gt;Benjamim escreve suas teses como quem escreve poesia, não podemos então cometer o erro de deixar de mencionar uma belíssima passagem da tese VII:&lt;br /&gt;“Nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie. E, assim como a cultura não é isenta de barbárie, não o é, tampouco, o processo de transmissão da cultura. Por isso, na medida do possível, o materialista histórico se desvia dela. Considera sua tarefa escovar a história a contrapelo.”&lt;br /&gt;Os monumentos da cultura são os despojos do dominador, afirma Benjamim, um monumento da cultura traz em si toda a dominação e exploração desses dominadores sobre os vencidos, uma estátua, de um “grande” imperador, vencedor, é construída com o trabalho e o sofrimento dos vencidos. Mais do que isso,  a cultura dos vencedores é também uma cultura que legitima a dominação, por isso o materialista histórico, como Benjamim, não participa de sua reprodução. Sua tarefa é a de “escovar a história a contrapelo”, ou seja, caminhar no sentido contrário da história dos vencedores e construir uma história do ponto de vista dos vencidos.                                            O presente tem um papel central para o historiador, é a partir dele que se compreende o passado, e é no “agora” que se deve romper com o contínuo da história. A revolução, portanto, é tarefa para agora, o futuro não existe e se o progresso técnico continuar caminhando em um ritmo tão acelerado, tem tudo para nunca existir.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                                               Audrei Teixeira de Campos,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                                  historiadora, escritora e professora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Tese IV.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Tese III.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Tese V.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Tese VI.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Tese VII.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Tese VIII.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; Tese XII.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-5439448673173295133?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/5439448673173295133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/08/resenha-teses-sobre-o-conceito-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/5439448673173295133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/5439448673173295133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/08/resenha-teses-sobre-o-conceito-de.html' title='Resenha: Teses sobre o conceito de História de Walter Benjamim'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-920924864186692769</id><published>2009-07-20T18:21:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T18:23:42.186-07:00</updated><title type='text'>A Loucura Como Ato Político</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que os padrões ditos “normais” que regem a sociedade são utilizados como meio de manipulação e massificação dos indivíduos, roubando a sua autenticidade e enquadrando-os dentro dos propósitos do sistema social vigente, já é sabido. Contudo, é interessante e esclarecedor, antes de discutirmos o papel da “loucura” como ato de resistência, discutirmos mais acerca da dita “normalidade”.&lt;br /&gt;Segundo a definição dos dicionários normal é tudo aquilo que segue a norma, ou seja, algo que não foge às regras impostas, que não contesta, nem questiona, qualquer um que questione as normas, que fuja às suas imposições, que se rebele é, portanto, considerado, anormal.&lt;br /&gt;Nesta sociedade patriarcal, machista, heteronormativa&lt;a class="sdfootnoteanc" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#sdfootnote1sym" name="sdfootnote1anc"&gt;1&lt;/a&gt; e capitalista, o dito normal é aquele que expressa estas características, ou seja, o indivíduo integrado a uma família comandada por um Pai e submissa a este, um indivíduo que trabalha (e trabalha muito) e se dedica ao seu trabalho acima de qualquer outra coisa, faz deste trabalho a sua vida, sem questionar, nem contestar, vende seu tempo e seu corpo por um preço bem pequeno, produz e o lucro obtido com essa produção fica para outra pessoa (o patrão) e acha isso... normal. Mantém relações sexuais apenas com pessoas do sexo oposto, mesmo que no íntimo esta não seja a sua preferência e muitas vezes sem se questionar se é isso mesmo o que realmente o satisfaz, simplesmente porque é normal, acredita que sua cultura e sua religião (aliás, que também são construções sociais e imposições históricas ao indivíduo) são as únicas normais e que qualquer outra forma de cultura ou religião, qualquer outro grupo que desenvolva relações sociais diferentes destas, impostas ao indivíduo e que são as únicas que ele aceita, são “bárbaros” ou “inferiores”.&lt;br /&gt;Que o discurso da “normalidade” sempre serviu aos diversos regimes políticos como meio de coerção também é sabido, que, ao longo de toda a história, muitos daqueles que se opuseram às imposições de governos tirânicos, ou que se negaram a viver dentro dos padrões que a sociedade impunha, foram excluídos, enviados para “sanatórios”, mas não seria incorreto chamarmos de “prisões políticas da alma” a estes locais de prisão e de tortura para o qual eram (e ainda são) enviados nossos livres pensadores e aqueles que tentaram viver de maneira livre, sem as amarras das regras pré-estabelecidas e incontestáveis.&lt;br /&gt;Porém, não é deste tipo de “loucura” que trataremos aqui, pois para nós já está mais do que claro ao que serve o discurso da “normalidade” e a opressão que sofrem todos os que se opõem às normas pré-estabelecidas, bem como o nosso repúdio tanto à opressão, quanto às normas e a sociedade que as impõe.&lt;br /&gt;Entretanto, este pequeno texto tem por objetivo tratar de outro tipo de “loucura”, que são as neuroses geradas por esta caótica e cruel sociedade capitalista, ou simplesmente as angústias inerentes à própria condição humana, mas que no capitalismo, por não terem um espaço para serem debatidas e “trabalhadas”, muitas vezes adquirem um caráter “patológico”.&lt;br /&gt;É neste sentido que defendemos que a “loucura” traz em si um caráter político, de resistência.&lt;br /&gt;As neuroses, o surto, o grito, nada mais são do que o não oprimido na garganta, entalado, o não que gostaríamos de dizer ao patrão tirânico, à professora opressora, ao ônibus lotado, ao relógio, o despertador especialmente, às humilhações e privações sofridas dia-a-dia.&lt;br /&gt;Uma máquina quando você humilha, quando você bate, quando você dá ordens e a faz executar incessantemente a mesma tarefa, milhares de vezes, sempre da mesma maneira, sem nenhuma alteração, mínima que seja, ela não reage, ela executa infinitas vezes a mesma tarefa sem se extenuar, até o esgotamento total e quando ela quebra você joga fora, sem nenhuma culpa e simplesmente a substitui por outra.&lt;br /&gt;Uma das maiores contradições do sistema capitalista é transportar esse tratamento dado às máquinas aos seres humanos, a diferença, entretanto, é que um ser - humano não é uma máquina, não é uma pedra, não é uma latinha de coca-cola, o ser humano, ao contrário, ele grita, uma hora ele berra, ele cansa, chora, de uma maneira ou de outra ele reage. Resiste.&lt;br /&gt;Seja gritando, seja pegando bolinhas no ar, ou enxergando bichos na parede, de um jeito ou de outro parece haver algo na natureza humana que o obriga a resistir, mesmo que de maneira incipiente e inconsciente, esta, sem dúvida, é uma das grandes diferenças entre os seres animados (que tem anima, alma) e os objetos inanimados, uma pedra se você chuta, ela rola, no máximo, uma pessoa não, se você chuta, ela grita, ela xinga, chora ou te chuta de novo, mas ela reage de alguma maneira.&lt;br /&gt;Deitado na cama chorando o indivíduo diz (quando tem força para dizer) –“Hoje não vou trabalhar”- o que pouca gente compreende é que algumas pessoas chegam a um ponto em que preferem morrer à enfrentar o fardo da eterna repetição diária de uma atividade inútil, sem sentido e principalmente, que não causa o mínimo prazer.&lt;br /&gt;Isso é resistência também, não uma resistência elaborada, com embasamento teórico, mas é, assim como o banditismo, uma atitude pré-revolucionária.&lt;br /&gt;O mesmo se aplica à surtos psicóticos, crises ansiosas ou de pânico. Quantos operários não desenvolvem fobia da fábrica, de seu ambiente, seu barulho, quantos professores não tem crises de pânico ao entrar numa sala de aula?&lt;br /&gt;É claro, que não se trata aqui de fazer uma apologia destas tristes patologias geradas ou agravadas pela sociedade capitalista, mas de apontar que com seres humanos a coisa funciona de uma forma diferente, não se pode impedir uma pessoa de gritar a sua ira, ou de chorar a sua dor, ao contrário das máquinas, mais cedo ou mais tarde, o indivíduo vai externalizar a sua opressão de alguma forma e nem sempre estas formas são bonitas, nem sempre elas são sãs e calculadas, muitas vezes elas saem apenas como gritos, surtos, lágrimas.&lt;br /&gt;Sem dúvidas, em outro modelo de sociedade, onde não haja a exploração de um indivíduo por outro, onde não haja opressão, machismo, nem preconceito, ainda haverá surtos, patologias, medos. Contudo, numa sociedade mais evoluída socialmente, mais sadia, será possível trabalhar melhor esses medos, as angústias naturalmente causadas pela misteriosa condição humana. Com o tempo livre, por exemplo, depois que o ser - humano tiver se libertado das amarras do trabalho abstrato e alienado, com o ócio criativo, as atividades artísticas, o tempo de estudo, o ser - humano sem dúvida vai poder alimentar a sua alma, dessa forma, ele será cada vez mais diferente das pedras e cada vez com menos necessidade de gritar para não esquecer disso.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Audrei Teixeira de Campos,&lt;br /&gt;escritora, historiadora, professora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a class="sdfootnotesym" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4570517398598587823#sdfootnote1anc" name="sdfootnote1sym"&gt;1&lt;/a&gt; Que impõe normas heterossexuais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-920924864186692769?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/920924864186692769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/loucura-como-ato-politico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/920924864186692769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/920924864186692769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/loucura-como-ato-politico.html' title='A Loucura Como Ato Político'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-4593198099490687892</id><published>2009-07-17T17:45:00.001-07:00</published><updated>2009-07-17T17:45:39.151-07:00</updated><title type='text'>O espelho vê o verso</title><content type='html'>Marco Aurélio Pinheiro Maida ¹&lt;br /&gt;O Olhar é um caminho, ..., um entre dois mundos: o mundo do que é objetivo, do que está aí, daquilo que é dado como evidente e através da luz se deixa perceber por um outro mundo, aquele que é mais que um mundo, é o i-mundo, uma selva talvez, ..., a selva do em nós, daquilo que é subjetivo.&lt;br /&gt;Quero demorar no fenômeno da subjetividade como selva afim de pontuar a importância do espelho.&lt;br /&gt;A selva do em nós não se deixa perceber por todos, ou melhor, por ninguém, é uma ilha que nunca vai ser visitada a não ser por nós mesmo. É ali que o mundo ganha significado! A selva do em nós é o “verdadeiro mundo”. Acredito que por mais que os sentidos nos digam que vemos as mesmas coisas, e as convenções sociais nos ajudem a conviver, a trocar mercadorias, trocar palavras, esse não é o mundo. Pode ser um construto, um algo que está lá para nos ajudar a conviver! O mundo mora no em nós. Olhar para o espelho mostra esse i-mundo que existe em nós e que nos assusta, parece que a convivência entre esse em nós e o mundo das convenções é, ..., ao limite, divergente!&lt;br /&gt;Ficamos di-fusos (e não confusos) quando pretendemos conviver no entre dos dois mundos. O mundo objetivo organiza a nossa vida entre compromissos e lazer, o i-mundo do subjetivo acredita que não se pode dividir cronologicamente a experiência humana; o mundo acredita que se pode comprar um padrão de beleza, o i-mundo subjetivo não sabe o que é beleza, sente de forma di-fusa a experiência estética e se embebeda com ela...&lt;br /&gt;Assim, fazemos uma de-cisão, como um parto, desligamos o mundo do i-mundo, e (com) vivemos no mundo das convenções. Aquele que se chama louco, decidiu pelo i-mundo, e por isso o isolamos, dizemos que ele não consegue viver no mundo, precisa de um lugar específico, seu i-mundo, não combina com a nossa sanidade... Paranóica sanidade!&lt;br /&gt;Quero te dar um espelho!&lt;br /&gt;O espelho funciona como esse entre dois mundos. Você se olha, e a mágica do entre dois mundos se deixa perceber; a sua imagem é mais que um algo objetivo, é aquilo que você quer ver de você, pode parecer algo i-mundo, que não tem nada a ver com as convenções, mas tem a ver com isso que existe em você, no mundo de significados que é intransmissível, incomunicável, que é só você, e ninguém poderá saber/perceber o que é: Algo de sua loucura, de sua insanidade, situação pré-lógica, e por isso, antes da de-cisão.&lt;br /&gt;O Espelho vê o verso ...&lt;br /&gt;... o corpo, antes de ser masculino ou feminino é potência, híbrido, anterior a determinação, é/sendo possibilidade de construção ...&lt;br /&gt;Quando nascemos não existimos, construímos nossa existência: fábrica sem operários; precisa de ócio e não de trabalho, moinho sem grãos e sem vento – inútil, sem função!&lt;br /&gt;Construímos nossa existência sem precisar de nada que nos anteceda. A cada nascimento um mundo novo se põe em confecção: mundo aberto, em processo de geração constante, um universo que sonha com a relação com o outro, mas se frustra, ..., pois é único e fechado em si ...; AUTOSUFICIENTE! EMBRIONÁRIO...&lt;br /&gt;... DECISÃO!&lt;br /&gt;“AVE MARIA GRACIA PLENA DOMINUS TECUM”&lt;br /&gt;O Espelho vê o verso ...&lt;br /&gt;... AVE MARIA GRACIA PLENA DOMINUS TECUM ...&lt;br /&gt;... EVA AIRAM AICARG ANELP SUNIMOD MUCET ...&lt;br /&gt;... a Santa é também pecadora, e o pecado é santo ...&lt;br /&gt;... porque o Espelho vê o verso.&lt;br /&gt;Fruta do pecado ...&lt;br /&gt;... útero fecundo da nova humanidade ...&lt;br /&gt;... SEMENTE!&lt;br /&gt;Água, Sol, Terra, Ar ...&lt;br /&gt;... útero fecundo da nova humanidade.&lt;br /&gt;O Espelho vê o verso ...&lt;br /&gt;... vida é/sendo movimento...&lt;br /&gt;... caos que impossibilita classificação ...&lt;br /&gt;... transborda vida.&lt;br /&gt;Não tem começo e nem fim, é construída sem pressa: balé eterno de encontros e desencontros constantes. Independe da consciência das pessoas – apenas é/sendo sempre em eterno fluxo.&lt;br /&gt;O Espelho vê o verso ...&lt;br /&gt;... o leitor torna-se a comédia...&lt;br /&gt;... o cotidiano é uma comédia quando o ESPELHO MOSTRA O VERSO.&lt;br /&gt;- Você não vai escrever mais nada, ..., já acabou esse texto? Eu não entendi nada, e agora você fica aí sentado com a caneta parada! Você é louco?&lt;br /&gt;- Não entendi, você me diz que eu sou louco? Louco é quem levanta às 6:00h da manhã para entrar em um trem lotado e agradece a um tal de Deus a oportunidade de ser explorado em sua mão de obra por um dono de empresa que enriquece às suas custas.&lt;br /&gt;- Você está dizendo que todo trabalhador é louco?&lt;br /&gt;- Não; estou dizendo que todas as pessoas que se sujeitam a outra, vendendo a sua criatividade, sua força-trabalho, e acreditam que devem fazer isso como exemplo de pessoas adultas, são loucos varridos e devem ser internados urgentemente.&lt;br /&gt;- Mas o trabalho é fundamental para educar as pessoas e ensinar o nosso papel para o desenvolvimento do país.&lt;br /&gt;- Educar as pessoas? Não entendo o que você está falando! Se eu saio para trabalhar tenho que delegar a educação do meu filho a outras pessoas; loucos são aqueles que ainda acreditam que a escola pode educar alguém: cinqüenta pessoas dentro de uma sala, sob os cuidados de uma pessoa descontente com o que faz; um clima de medo, punição e controle sonda todos os cantos desse lugar; se instaura uma luta de forças entre as pessoas que estão envolvidas no processo, que se pretende educacional, mas que na verdade é patológico, nocivo, demente, neurótico.&lt;br /&gt;- Você acredita que os trabalhadores são loucos porque se vendem para o lucro de outros, que os estudantes e professores são loucos porque se enganam e vivem em batalha constante ao invés de envolver-se em caminhos de conhecimento; o que sobra então desse seu discurso, ..., ninguém é são? E as pessoas que acreditam em Deus, o que você pode falar? São loucos também, ou se pode encontrar algo de sanidade nessas pessoas?&lt;br /&gt;- Deus, ..., que Deus? O que se propaga na fé católica, que não decide se é severo e ciumento ou misericordioso, ..., ou aquele que é divulgado pelo movimento neopentecostalista, que acredita que tudo que está no mundo é pecado, propondo um platonismo de orelha de livro, ..., ou ainda aquele Deus que diz que pode existir uma guerra que é santa, e se você morrer e matar em nome dele você ainda recebe mulheres virgens na outra vida, ..., ou será que é aquele que cobra dinheiro das pessoas para atendê-las em suas necessidades, já não sei mais de qual desses você está falando, você pode ser mais específico senão não conseguirei dar-te uma resposta.&lt;br /&gt;- Você é louco? E saber que gastei meu tempo lendo essas coisas e ainda termino sem entender nada.&lt;br /&gt;- Você não quer admitir leitor, que eu leio você, e não o contrário! Eu me divirto lendo o seu entusiasmo em sair para o trabalho e achar que está fazendo a coisa mais importante do mundo, me divirto em ler você acreditando que a escola é o melhor lugar para educar o seu filho, melhor até que você mesmo ... e, por fim, (risada sarcástica muito alta) me mijo nas calças ao ler você adorando um Deus que, na verdade, nem você mesmo acredita que ele existe, nem você mesmo sabe qual deles você está falando ou com qual você está falando! Continuarei lendo-te leitor, me divertindo com a comédia da sua existência, ..., O ESPELHO VÊ O VERSO&lt;br /&gt;¹ Marco Aurélio Pinheiro Maida, leciona Filosofia e é&lt;br /&gt;Membro Fundador da Associação do Professores de Filosofia do Alto Tietê (APROFAT).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-4593198099490687892?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/4593198099490687892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/o-espelho-ve-o-verso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/4593198099490687892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/4593198099490687892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/o-espelho-ve-o-verso.html' title='O espelho vê o verso'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-237548015667673235</id><published>2009-07-17T17:29:00.000-07:00</published><updated>2009-07-17T17:30:22.393-07:00</updated><title type='text'>As tarefas prático-poéticas da esquerda revolucionária</title><content type='html'>Na sociedade do espetáculo, alguns poucos realizam atividades culturais para que milhões contemplem, passivos e mudos. A classe dominante é a grande beneficiária dessa apatia. Um verdadeiro projeto de libertação humana não pode priorizar a disputa política e a luta econômica e se omitir quanto à atuação no campo estético e cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Marx, o trabalho é a atividade que define a espécie humana como a única capaz de transformar a realidade à sua volta. Mas, não se trata de qualquer trabalho. Não estamos falando do trabalho alienado que impera na sociedade de classes em geral e na capitalista em particular. Em um trecho dos “Manuscritos econômicos e filosóficos de 1844”, Marx diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A alienação do trabalho faz com que o operário se torne tanto mais pobre quanto maior é a riqueza que produz, quanto mais sua produção cresce em potência e extensão. O operário torna-se mercadoria tanto mais vil quanto maior é a quantidade de mercadoria que produz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de trabalho seria uma degeneração do trabalho como atividade criadora. É o trabalho em série nas fábricas, a atividade desgastante na limpeza de ruas, a exploração desumana das minas, o manejo de materiais perigosos e insalubres, as aulas ministradas em salas superlotadas, o atendimento em ritmo e condições infernais nas grandes centrais telefônicas atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso corresponde à idéia de Marx do trabalho como objetivação das potencialidades subjetivas do ser humano. Como materialização de sua capacidade criadora. Como testemunha da rebeldia humana diante da mesmice cíclica que as leis naturais representam para os outros animais. Tal como não se dobra às leis do cio para se reproduzir ou tirar prazer do ato sexual, o ser humano não se satisfaz com a utilidade dos objetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um macaco pode transformar um pedaço de galho numa ferramenta para arrancar frutos de uma árvore. Pode usar uma folha para beber água. Mas, nossos primos primatas fazem isso há milhões de anos sem grandes variações. Quando o ser humano produz uma caneca tenta reproduzir a postura de suas mãos colocadas em forma de concha para beber. Mas, quando faz enfeites nessa caneca já não se trata de pura e simples utilidade. Um recipiente pode ter a mesma eficácia com ou sem enfeites. Pode ser boa para beber neste ou naquele formato. Ou não. Uma caneca decorada com certos desenhos pode afastar maus espíritos. Beber cerveja numa xícara com certeza parece menos saboroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos produtos e produtores das condições materiais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aí que está a diferença da atividade humana. Se somos produtos das condições materiais, também somos capazes de transformar essas condições. É o que diz Marx na primeira das “Teses sobre Feuerbach”. E quando fazemos, conferimos sentidos, significados, símbolos aos objetos, às situações, ao ambiente. É como diz Marx na famosa passagem de “O Capital”. Ele admite que “uma abelha, embora só possua instinto, pode superar em habilidade, vários arquitetos”. No entanto, conclui, “o que distingue, à primeira vista, o pior dos arquitetos, da mais hábil das abelhas, é que aquele constrói suas células na cabeça, antes de fazê-lo na colméia”. Nada supera essa condição. O grande problema é o caráter alienado que essa capacidade assumiu na história humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho humano deixou de ser uma atividade de troca criativa com a natureza. O enorme poder criativo dos seres humanos foi sendo seqüestrado pelas várias sociedades autoritárias. É o saber do sapateiro que foi embutido na máquina que faz sapatos. A habilidade do ferreiro que se transformou em robôs vigiados por sonolentos e aborrecidos olhos humanos. Até os doces e salgados que dependiam das mãos e da sabedoria das cozinheiras são cada vez mais feitos por máquinas que os deixam sem sabor. Com certeza a expressão mais acabada dessa perda da criatividade foi a transformação da atividade humana em destruição. Algo bastante visível nas cada vez mais freqüentes e generalizadas catástrofes ecológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como imaginar essa propriedade original e básica do trabalho como atividade criadora? Se foi esmagada pelo trabalho repetitivo, como imaginar que podemos recuperá-la. A resposta está exatamente na atividade artística. Esta representa aquilo que mais se assemelha ao que pode ser o trabalho como atividade livre, criadora e definidora da essência humana. Segundo Adolfo Sánchez Vásquez em sua obra “As idéias estéticas de Marx”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Interessava a Marx (...) definir o homem como produtor não apenas de objetos ou produtos materiais, mas também de obras de arte”.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;“Buscando o humano, o humano perdido, Marx encontra o estético como um reduto da verdadeira existência humana, e não apenas como um seu reduto, mas como uma esfera essencial. Se o homem é atividade criadora, não poderia deixar de estetizar o mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que essa estetização do mundo tornou-se escrava do trabalho alienado. E não é preciso muito esforço para enxergar os resultados desse processo em plena era espetacular. Em “Sociedade do espetáculo”, Guy Debord diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Com a separação generalizada do trabalhador e do seu produto perde-se todo o ponto de vista unitário sobre a atividade realizada, toda a comunicação pessoal direta entre os produtores”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só olharmos para os cinemas, auditórios, teatros e residências equipadas com televisores. De um lado, são milhões contemplando, atentos ou hipnotizados, sempre passivos e mudos. De outro lado, apenas alguns milhares de produtores culturais, trabalhando em série, pressionados pela manutenção das taxas de lucros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Práxis e “poiesis”: uma divisão a ser superada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra obra de Vásquez há uma pista sobre a origem do distanciamento entre o trabalho como atividade prazerosa e rica e sua atual realidade torturante e miserável. Trata-se de “A Filosofia da práxis”. Nela, o autor retoma a antiga divisão da atividade humana entre práxis e “poiesis”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senso comum costuma traduzir práxis como prática. Atividade repetitiva, sem reflexão e cansativa. Na melhor das hipóteses, uma ação destinada a alcançar um objetivo. A palavra “poiesis”, apesar de menos conhecida, pode ser facilmente identificada com poesia. E esta, por sua vez, ganhou um sentido de lirismo descolado da vida cotidiana. Uma forma de expressão de apaixonados ou desencantados, sem qualquer preocupação ou validade prática. Portanto, a atual conotação desses dois termos expressaria o binômio práxis-"poiesis” como relação de opostos, de antagonismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Vásquez explica que os antigos gregos consideravam práxis como uma ação praticada pelo sujeito, que não ultrapassa esse mesmo sujeito. Por exemplo, uma atitude moral, uma opção política ou um estilo artístico. Já a noção de “poiesis”, dizia respeito a uma ação que produz objetos. Ou seja, seu resultado aparece externamente para quem a pratica. Nesse caso, o artesão que fabrica um cesto, exerce uma atividade poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o atual entendimento de práxis e “poiesis” inverteu seus significados originais. Hoje, seria estranho ao senso comum dizer que a construção de uma casa, ou a fabricação de sapatos são atividades poéticas. No entanto, não seria de todo incorreto comparar o fazer poético ao esforço laborativo próximo do artesanal. Um esforço que ultrapassa o artesanal em um dado momento imponderável e transforma o fazer versos e estrofes em criação original. O ato de fabricar, tecer, urdir transforma-se no artístico, no lírico, no épico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, confundir práxis com prática é rebaixar o potencial da ação humana. Se na Grécia antiga, práxis surge como postura moral, estética etc, e transforma-se na prática irrefletida do mundo moderno é porque a história caminhou para essa separação que violenta o potencial criativo da humanidade. A origem dessa separação está na divisão da sociedade em classes. Entre os que pensam, planejam, mandam e os que executam, trabalham, obedecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo é a expressão mais acabada dessa separação. Uma sociedade em que o fazer é fragmentado e completamente separado da criação consciente. Em que a invenção é escrava da quantidade de valor mercantil que é capaz de gerar. Em que os amplos horizontes da criação dão lugar ao acanhamento bilionário da indústria do entretenimento. E pantomimas grosseiras tentam imitar sem sucesso a verdadeira medida do que é (o) ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso lugar é na política, na história e na arte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso reconquistar a harmonia entre o fazer ritmado do tanoeiro, que fabrica vasos e barris, e o canto das crianças que enchem seus cântaros nos poços cavados por seus pais. É necessário retomar as noções de práxis e “poiesis” de forma a unificar seu potencial prático-criativo. Quanto de esforço artesanal e quanto do imponderável da criação existe numa poesia, numa canção ou numa escultura? Ou seja, quanto de “poiesis” e quanto de práxis? Não existe resposta para essa questão. Porque ela somente é possível em um mundo dividido entre o trabalho manual e a criação. Mas não podemos ficar esperando. Um mundo novo, com suas perguntas e respostas, somente surgirá se as várias manifestações do fazer humano confrontarem seus conflitos e paixões em todos os níveis e lugares. Na arte, na história e na política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido um verdadeiro projeto de libertação humana não pode restringir-se aos aspectos mais pragmáticos. Não deve priorizar a disputa política, eleger a luta econômica, e se omitir quanto à intervenção no campo estético e cultural. Até porque trata-se de um campo fundamental para a manutenção da dominação e da exploração. Uma esfera em que nossos inimigos se fizeram fortes exatamente porque o abandonamos. Nossas melhores formulações políticas e teóricas serão estéreis sem a sensibilidade radical do fazer poético. E continuarão a reproduzir o mundo árido do fazer sem sentido. Por outro lado, a arte afastada do mundo e suas contradições não é possível. Porque ela seria uma arte fora do alcance dos homens e mulheres. Portanto, nossa abordagem das sensibilidades estéticas, da produção lírica ou épica, terá que ser contaminada pela crueza das ruas e esgotos e arejada por sorrisos possíveis e lágrimas inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta formulação não autoriza o pensamento de que só se deve aceitar uma “arte engajada”. Que o poema, a canção, o filme, o conto, a criação plástica tenham que adotar um tema ou motivação ligados à luta social e política. Isto seria a reedição do realismo socialista, de triste memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esquerda revolucionária precisa começar a acertar contas com sua dificuldade em lidar com questões estéticas e culturais. Para começar seria bom abordar a idéia equivocada do realismo como o estilo justo para a arte engajada. Mas, isso fica para o próximo texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Domingues – maio de 2008 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE:  REVOLUTASSITE: http://www.revolutas.netPUBLICAÇÃO:  11/04/2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-237548015667673235?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/237548015667673235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/as-tarefas-pratico-poeticas-da-esquerda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/237548015667673235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/237548015667673235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/as-tarefas-pratico-poeticas-da-esquerda.html' title='As tarefas prático-poéticas da esquerda revolucionária'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-7436659668029855355</id><published>2009-07-17T17:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-17T17:06:48.007-07:00</updated><title type='text'>O Teatro Tema Poema</title><content type='html'>O Teatro Tema-Poema apresenta-se através de um Núcleo Germinal poético para cada conteúdo teatral. É a exposição de um tema para desenvolvimento e montagem de uma peça, mas cada núcleo está apresentado já como obra em si. O Núcleo Germinal, além de ser uma proposta para ampliação dramática, é uma obra, por possuir começo e fim. Portanto, cada núcleo temático é feito em forma poética, e quase sempre em versos rimados ou não, mas de preferência cadenciados, apresentado independente do desdobramento da dramaturgia. Isso implica também que a peça de teatro pode tomar um rumo completamente diverso, na sua forma estética e na encenação, passando ou não a incluir as formas escritas do Núcleo Germinal. E cada obra desenvolvida caracteriza-se como adaptação, na medida que conserve a origem temática.&lt;br /&gt;O objetivo do Teatro Tema-Poema é motivar a criação cênica, incentivar e inspirar atores ou equipe teatral a participar na construção da dramaturgia e colocar à disposição muitas idéias, em forma sintética, para ampliar a participação, e ter ampla gama de escolhas. Significa despertar a capacidade de incorporar o maior número de inteligências, e capacidade lírica, à proposta das obras finais. A diferença é que esse tipo de Núcleo é um poema ou uma cena, e não apenas a descrição de um esboço inicial para o eventual drama posterior.&lt;br /&gt;J. Carlos A. Brito&lt;br /&gt;Conversa de Orelhão&lt;br /&gt;- Ato Único -&lt;br /&gt;(em cena: um homem angustiado liga para a namorada pelo orelhão, que funciona mal;&lt;br /&gt;ela, em outro plano responde de um celular com tranqüilidade e um certa irritação).&lt;br /&gt;Ela – Sim!&lt;br /&gt;Ele – (pensando alto: - ela se dirige a mim)&lt;br /&gt;Ele – Sou eu, tudo bem?! (respondo, com um disfarce de dor)&lt;br /&gt;Ela – Oi, meu bem!&lt;br /&gt;Ele - (Pensa alto: Não sei se “bem” é amor,&lt;br /&gt;E se é o que ela tem..&lt;br /&gt;Não sei...)&lt;br /&gt;Ele – Por favor, fala mais alto! ( pensa alto:&lt;br /&gt;Grito, com voz de contralto;&lt;br /&gt;Estes telefones públicos, com&lt;br /&gt;Com defeitos, que agonia...&lt;br /&gt;Foram negócios mal feitos&lt;br /&gt;De dar de graça&lt;br /&gt;A suspeitos&lt;br /&gt;A nossa telefonia)&lt;br /&gt;Ele – Merda!&lt;br /&gt;Ela – O que você disse?&lt;br /&gt;Ele – Nada...falei enxerga...&lt;br /&gt;Ela – Como vou enxergar?! Não posso ver...só ouvir...&lt;br /&gt;Ele – É que não se ouve direito,&lt;br /&gt;Neste sistema malfeito.&lt;br /&gt;Liguei por casualidade,&lt;br /&gt;Porque estava com saudade...&lt;br /&gt;(pensa alto: disse eu, por dizer algo, ao menos...)&lt;br /&gt;Ela – Mas na semana que vem, nos vemos...&lt;br /&gt;Ele – (pensa alto: Supõe ela que oferece mel&lt;br /&gt;Mas na verdade é cruel)&lt;br /&gt;Ela – Mas porque essa ânsia atroz?&lt;br /&gt;Ele - (pensa alto: Ela despreza&lt;br /&gt;O meu feijão com arroz)&lt;br /&gt;Ele – Liguei para ouvir tua voz... ( pensa alto: E fiz notar&lt;br /&gt;Com tremor&lt;br /&gt;Que atrás disso&lt;br /&gt;Havia amor.)&lt;br /&gt;Ele – Sim, ouvir tua voz de fada... (pensa alto: Falei e pensei&lt;br /&gt;Que não diria mais nada&lt;br /&gt;O cartão está acabado&lt;br /&gt;E que cafona dizer “fada”&lt;br /&gt;Deve ter rido um bocado)&lt;br /&gt;Ela – Que bom, muito obrigada.&lt;br /&gt;Ele – (desliga o telefone e pensa alto: Ai, que dor&lt;br /&gt;De não saber se esse “bom”&lt;br /&gt;Supõe um prazer de amor&lt;br /&gt;Já não sei o que fazer&lt;br /&gt;Com este meu padecer:&lt;br /&gt;E ansiedade feroz&lt;br /&gt;Cinco reais de cartão&lt;br /&gt;Pra ferir meu coração&lt;br /&gt;E mal ouvir sua voz.&lt;br /&gt;- Fim -&lt;br /&gt;As Pernas&lt;br /&gt;(Ato único – conversa entre casal)&lt;br /&gt;Ela – Minha perna de menina&lt;br /&gt;Não gosto muito dela&lt;br /&gt;Por ser um pouco fina.&lt;br /&gt;Ele – Mas ela tem um “que”&lt;br /&gt;E deu em toda a vida&lt;br /&gt;Um amor a você.&lt;br /&gt;Ela – Dói, ao andar&lt;br /&gt;Por uma veia interna&lt;br /&gt;De má circulação.&lt;br /&gt;Ele – Deve ser, provavelmente&lt;br /&gt;De carência&lt;br /&gt;Por essa ingratidão...&lt;br /&gt;Ela – Bobagem...&lt;br /&gt;Ele – Em cada coisa que pões defeito&lt;br /&gt;Eu tiro uma vantagem.&lt;br /&gt;Ela – De amor?&lt;br /&gt;Ele – É, eu viro catador.&lt;br /&gt;Ela – De que, então?&lt;br /&gt;Ele – De estrelas pelo chão...&lt;br /&gt;Restos de coisas belas.&lt;br /&gt;Ela – Não diga?! Como é bonito&lt;br /&gt;Com a mão, colher estrelas...&lt;br /&gt;Ele – Pois é, fico atento&lt;br /&gt;A todos os momentos&lt;br /&gt;De tua distração...e faço minhas&lt;br /&gt;As partes&lt;br /&gt;Que não dás atenção,&lt;br /&gt;Quando caminhas.&lt;br /&gt;fim&lt;br /&gt;Os Olhos&lt;br /&gt;(Ato único – conversa de casal)&lt;br /&gt;Ele - Acho teus olhos lindos&lt;br /&gt;(não é novidade)&lt;br /&gt;mas noto coisa estranha&lt;br /&gt;quando me fixo neles&lt;br /&gt;absorto.&lt;br /&gt;Ela - Sentem-se um pouco sós&lt;br /&gt;pelo trabalho&lt;br /&gt;de um papel de reis&lt;br /&gt;no corpo.&lt;br /&gt;Ele - Sinto que querem ficar perto&lt;br /&gt;dos dentes, do rosto, do coração&lt;br /&gt;e gostam de aconchegar&lt;br /&gt;na posição de feto&lt;br /&gt;tua tristeza&lt;br /&gt;entre as mãos.&lt;br /&gt;Ela - Às vezes os esqueço...&lt;br /&gt;Ele - Sobretudo com a neblina&lt;br /&gt;do cigarro acesso&lt;br /&gt;cuidado&lt;br /&gt;ao fumar...&lt;br /&gt;Ela - E qual seria o preço?&lt;br /&gt;Ele – Teus olhos, quando fumas&lt;br /&gt;e os castigas,&lt;br /&gt;amam teu vício...&lt;br /&gt;Ela – Não diga,&lt;br /&gt;que mórbido ofício.&lt;br /&gt;Ele – Na paixão nenhum mal incomoda.&lt;br /&gt;Ela – Mas fumar passou de moda.&lt;br /&gt;Ele – Quem ama&lt;br /&gt;esquece o veneno do outro&lt;br /&gt;e vê essa fumaça&lt;br /&gt;envenenada&lt;br /&gt;vindo da amada&lt;br /&gt;como hálito da prata.&lt;br /&gt;Ela - Como podem os olhos amar&lt;br /&gt;um instinto&lt;br /&gt;que mata?&lt;br /&gt;Não me convence,&lt;br /&gt;não pode ser amor.&lt;br /&gt;Ele – Da mesma forma que eu amo&lt;br /&gt;e vou morrer de dor.&lt;br /&gt;Ela – Fico confusa,&lt;br /&gt;se continuo&lt;br /&gt;nesta morte difusa&lt;br /&gt;que acaba cada célula&lt;br /&gt;e me transforma em pérola&lt;br /&gt;cristalizada,&lt;br /&gt;banhada em céu rubi&lt;br /&gt;ou procuro outro veneno&lt;br /&gt;e me entrego a ti;&lt;br /&gt;mudo de catarro,&lt;br /&gt;atiro-me ao abismo&lt;br /&gt;e troco de cigarro.&lt;br /&gt;Ele – não precisa tanto,&lt;br /&gt;dá-me teus olhos,&lt;br /&gt;ao menos...&lt;br /&gt;Ela – Mas ficarei cega,&lt;br /&gt;e nem no espelho&lt;br /&gt;poderei mais vê-los.&lt;br /&gt;Ele – No espelho&lt;br /&gt;seria quase impossível&lt;br /&gt;reparar&lt;br /&gt;o desejo&lt;br /&gt;que eles tem por ti&lt;br /&gt;– só eu os vejo –&lt;br /&gt;Tenta escutar&lt;br /&gt;Ela – E como posso ouvi-los se não sabem falar?&lt;br /&gt;Ele – A mim eles falam&lt;br /&gt;com desespero&lt;br /&gt;e dizem o segredo&lt;br /&gt;que querem te enviar;&lt;br /&gt;querem cobrir-te de beijos&lt;br /&gt;beber teus orgasmos&lt;br /&gt;e de manhã&lt;br /&gt;abrir teu despertar.&lt;br /&gt;Ela – Ah, diz-me, como poderia eu dá-los, sem os tirar?&lt;br /&gt;Ele – É só dormir comigo&lt;br /&gt;para acender por dentro&lt;br /&gt;seu brilho...&lt;br /&gt;e surgirem em meus sonhos&lt;br /&gt;como duplo luar.&lt;br /&gt;fim&lt;br /&gt;Amor Amarelo&lt;br /&gt;Ato Único&lt;br /&gt;(conversa entre casal)&lt;br /&gt;Ela - Olha, meu bem&lt;br /&gt;Acho que me visto&lt;br /&gt;Um pouco como “perua”&lt;br /&gt;Sou daquelas&lt;br /&gt;Que quando vou pra rua&lt;br /&gt;Não consigo sair&lt;br /&gt;Sem me pintar&lt;br /&gt;E me produzir&lt;br /&gt;Você não notou?&lt;br /&gt;Ele – Mas eu sou cego...&lt;br /&gt;Ela – Por isso me desespero&lt;br /&gt;Pois sinto que você&lt;br /&gt;Não serve pra espelho&lt;br /&gt;Ele – Desculpa, não notei nada...&lt;br /&gt;De estranho;&lt;br /&gt;Tudo combina&lt;br /&gt;Com a cor dos olhos&lt;br /&gt;O rosto, os cabelos, os peitos&lt;br /&gt;O sorrir...&lt;br /&gt;Mas para um cego&lt;br /&gt;São poucos os defeitos&lt;br /&gt;E eu só sei sentir...&lt;br /&gt;Ela – Verdade?&lt;br /&gt;Mas não fico segura&lt;br /&gt;Dessa sinceridade.&lt;br /&gt;Por tua cegueira&lt;br /&gt;Nunca posso saber&lt;br /&gt;Se estou feia&lt;br /&gt;Ou sou bela&lt;br /&gt;Por exemplo: sinto ultimamente&lt;br /&gt;Que ando meio amarela...&lt;br /&gt;Ele – Se eu detestasse a cor amarela&lt;br /&gt;E você me diz que faz&lt;br /&gt;Cocô amarelo&lt;br /&gt;Amaria teu amarelo-ouro&lt;br /&gt;Como um tesouro&lt;br /&gt;A mais.&lt;br /&gt;Fim&lt;br /&gt;Cai Um Anjo&lt;br /&gt;Ato Único&lt;br /&gt;(cena entre um demônio e anjo recém caído)&lt;br /&gt;Ele – Estava no inferno pensando&lt;br /&gt;Sentado encima de uma&lt;br /&gt;Montanha, a olhar o vale&lt;br /&gt;Profundo, dos ventos uivantes&lt;br /&gt;Que Volúpia soprava&lt;br /&gt;Do mundo de Olímpia&lt;br /&gt;Inesperadamente caiu&lt;br /&gt;Um novo anjo, de corpo&lt;br /&gt;Magro e peito arfante&lt;br /&gt;- Uma fêmea faminta –&lt;br /&gt;Como há muito tempo&lt;br /&gt;Não acontecia&lt;br /&gt;Na monótona treva&lt;br /&gt;Ela – Eu vinha rasgada&lt;br /&gt;Inundada de febre&lt;br /&gt;Com ombro quebrado&lt;br /&gt;Machucada na pele&lt;br /&gt;Um frio latente&lt;br /&gt;De maltrato e sevícia&lt;br /&gt;E como Eva&lt;br /&gt;Trazia uma cria&lt;br /&gt;E um pouco de leite.&lt;br /&gt;Ele – O inferno, meio decadente&lt;br /&gt;Já estava sem chamas,&lt;br /&gt;Vivia em chuvas&lt;br /&gt;Repleto de lamas&lt;br /&gt;E não nada queimava;&lt;br /&gt;Ela – Mas eu irrompi&lt;br /&gt;Espalhando fagulhas&lt;br /&gt;De forma engraçada;&lt;br /&gt;Ele – Eras, disseste, um anjo&lt;br /&gt;Com dor.&lt;br /&gt;Ela – Fugida presa&lt;br /&gt;De antigo caçador.&lt;br /&gt;Ele – Do acidentado vôo&lt;br /&gt;Caída,&lt;br /&gt;Eu estendi a mão...&lt;br /&gt;Ela – E entrou de surpresa&lt;br /&gt;Na minha ferida&lt;br /&gt;A tua ilusão&lt;br /&gt;fim&lt;br /&gt;Noite &amp;amp; Dia&lt;br /&gt;(Ato Único – Cena dialogo casal)&lt;br /&gt;Ele – Sonhei que queria&lt;br /&gt;Confidenciar minhas fraquezas&lt;br /&gt;E pedir&lt;br /&gt;Tua ajuda.&lt;br /&gt;Ela – Proponho uma sedução&lt;br /&gt;De amparo mutuo.&lt;br /&gt;Ele – A sombra e a noite&lt;br /&gt;Tem essas coisas&lt;br /&gt;De confissão de medo&lt;br /&gt;De pedidos de socorro.&lt;br /&gt;Ela – Mas depois da noite&lt;br /&gt;O dia vai fortalecendo tudo,&lt;br /&gt;Ele – Apaga as fragilidades&lt;br /&gt;Repõe a máscara&lt;br /&gt;Diurna.&lt;br /&gt;Ela – E voltamos ao receio&lt;br /&gt;De fazer confidencias&lt;br /&gt;Ele – Na luz do sol&lt;br /&gt;Nossos desejos&lt;br /&gt;Causavam-nos vergonha.&lt;br /&gt;Ela – Espero novamente essa fase noturna.&lt;br /&gt;Fim&lt;br /&gt;Monologo&lt;br /&gt;Amor Vermelho&lt;br /&gt;Ai, o sangue&lt;br /&gt;Me lembra&lt;br /&gt;Essa matança de animais,&lt;br /&gt;Mas sabendo que você gosta&lt;br /&gt;Às vezes, de carne picada&lt;br /&gt;Com tempero,&lt;br /&gt;Faço ao animal um apelo:&lt;br /&gt;Viverei de joelhos pedindo perdão&lt;br /&gt;A todos vocês.&lt;br /&gt;Pela dor;&lt;br /&gt;E em teu corpo sagrado&lt;br /&gt;Passando pelo ventre,&lt;br /&gt;Dos pés ao cabelo,&lt;br /&gt;Que minha carne&lt;br /&gt;Também entre&lt;br /&gt;Imolada de amor&lt;br /&gt;Vermelho.&lt;br /&gt;Conversa de Extraterrestres&lt;br /&gt;(perdido na Terra, um casal de extraterrestres&lt;br /&gt;com a nave quebrada planeja o futuro)&lt;br /&gt;Piloto Robô- Quem diria&lt;br /&gt;Que meus cabelos brancos&lt;br /&gt;No corpo de bateria lerda&lt;br /&gt;Iriam seduzir-te,&lt;br /&gt;Ao cair&lt;br /&gt;Neste planeta de merda?&lt;br /&gt;Mulher marciana – A sedução é apenas&lt;br /&gt;Uma questão indireta&lt;br /&gt;Preciso de uma alavanca&lt;br /&gt;Pra sair desta Terra&lt;br /&gt;Maldita;&lt;br /&gt;Não suporto a solidão&lt;br /&gt;Insana&lt;br /&gt;Da podridão humana&lt;br /&gt;Que me angustia&lt;br /&gt;E você é o único meio&lt;br /&gt;Que sobrou&lt;br /&gt;Estropiado&lt;br /&gt;De nossa tecnologia.&lt;br /&gt;Piloto Robô – Se não há emoção,&lt;br /&gt;Não sei pra que serviria&lt;br /&gt;Qualquer tentativa&lt;br /&gt;De sedução...&lt;br /&gt;Mulher marciana – Veja: estou desempregada!&lt;br /&gt;E sozinha na lama&lt;br /&gt;Não me resta mais nada&lt;br /&gt;Se não seduzir...&lt;br /&gt;Provarei que um Robô&lt;br /&gt;Também ama...&lt;br /&gt;E aproveito tua fraqueza&lt;br /&gt;Que precisa de minha&lt;br /&gt;Alma,&lt;br /&gt;Para sentir.&lt;br /&gt;Piloto Robô – Me pediste, não menos&lt;br /&gt;Que eu coordenasse&lt;br /&gt;Uma reunião de executivos&lt;br /&gt;Interplanetários&lt;br /&gt;Para vir ajuda de Vênus...&lt;br /&gt;Falta energia...&lt;br /&gt;Mulher marciana – Delirava...tudo quebrou&lt;br /&gt;O rádio, a pilha,&lt;br /&gt;E até se matou,&lt;br /&gt;Com gás de cozinha&lt;br /&gt;O técnico de telepatia&lt;br /&gt;Piloto Robô – Não há como sair deste planeta&lt;br /&gt;E com a nave partida&lt;br /&gt;Sou um herói de muleta...&lt;br /&gt;Mulher marciana – É sempre a mesma história,&lt;br /&gt;Toda criação é feminina&lt;br /&gt;Sobretudo quando o macho&lt;br /&gt;Se amofina.&lt;br /&gt;Piloto Robô – Mas porque desesperar?&lt;br /&gt;Já que nos perdemos&lt;br /&gt;Aproveitemos&lt;br /&gt;Este lugar deserto&lt;br /&gt;Em que aportamos&lt;br /&gt;Para ficar mais perto&lt;br /&gt;Porque não nos amamos?&lt;br /&gt;A coisa meio nojenta&lt;br /&gt;Que fazem os humanos...&lt;br /&gt;Esse ato chinfrim&lt;br /&gt;Não deve ser tão ruim...&lt;br /&gt;Mulher marciana – Por isso pensei&lt;br /&gt;No “vai vem”&lt;br /&gt;Dos aparelhos biológicos&lt;br /&gt;De fazer neném...&lt;br /&gt;É só destravar&lt;br /&gt;Esse mecanismo&lt;br /&gt;De emergência&lt;br /&gt;Que todo robô tem&lt;br /&gt;Vamos tentar...&lt;br /&gt;Piloto Robô – Qual?&lt;br /&gt;Mulher marciana – Aquele&lt;br /&gt;Que dá tremor na pele;&lt;br /&gt;O kit funcional&lt;br /&gt;Que sobe e desce&lt;br /&gt;Para reprodução&lt;br /&gt;Da espécie&lt;br /&gt;Em caso&lt;br /&gt;Emergencial.&lt;br /&gt;Piloto Robô – Quando tudo morre em volta&lt;br /&gt;Só a reserva&lt;br /&gt;Viva&lt;br /&gt;Do próprio corpo&lt;br /&gt;Importa,&lt;br /&gt;Talvez a emoção tenha serventia...&lt;br /&gt;Mulher marciana – Mas com uma condição:&lt;br /&gt;Agora&lt;br /&gt;Que teu poder é fraco,&lt;br /&gt;No amor,&lt;br /&gt;A decisão é minha&lt;br /&gt;E em cada próxima trepada&lt;br /&gt;Fico por cima;&lt;br /&gt;Piloto Robô – Maravilha;&lt;br /&gt;Sem movimento&lt;br /&gt;E sem esperma&lt;br /&gt;Economizo pilha&lt;br /&gt;Mulher marciana – Tem mais,&lt;br /&gt;Consegui um&lt;br /&gt;Aparelho erótico artificial&lt;br /&gt;Muito capaz,&lt;br /&gt;E porreta&lt;br /&gt;Um pedaço humano de vagina&lt;br /&gt;Mais conhecido&lt;br /&gt;Como buceta&lt;br /&gt;Penso curtir&lt;br /&gt;Aquelas fantasias&lt;br /&gt;Que são proibidas&lt;br /&gt;Em nosso planeta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;José Carlos A. Brito, é poeta, articulista e dramaturgo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-7436659668029855355?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/7436659668029855355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/o-teatro-tema-poema.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/7436659668029855355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/7436659668029855355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/o-teatro-tema-poema.html' title='O Teatro Tema Poema'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-8773522015283629866</id><published>2009-07-17T17:01:00.001-07:00</published><updated>2009-07-17T17:01:46.127-07:00</updated><title type='text'>Tafofobia</title><content type='html'>Tafofobia, este era o nome da sua psicopatologia, embora ela não soubesse. Pouco importava, ela tinha medo de ser enterrada viva e um simples diagnóstico não a deixaria mais confortável.&lt;br /&gt;Um nome para o seu medo era a última coisa de que precisava.&lt;br /&gt;No início ela não pensava assim, ela catalogava, quantificava e tentava conceituar tudo o que sentia e tudo o que pensava, não demorou para que ela começasse a se sentir mal com isso, quanto mais conceitos ela aprendia maior era a dificuldade para identificar em qual conceito um determinado pensamento ou um determinado sentimento se encaixava.&lt;br /&gt;Uma coisa nunca era só aquilo e isso a deixava desesperada.&lt;br /&gt;Grunge? Punk? Era uma eclética. Por maior que fosse o seu repúdio a tal idéia ela sabia, era uma eclética, não por que quisesse sê-lo, mas por que não conseguia encaixar todas as suas aspirações em apenas um único conceito.&lt;br /&gt;Daí é que vinha o seu total desprezo pelas ciências humanas, jamais pôde entender como algo podia ser julgado como humano e científico ao mesmo tempo, pensava com toda a simplicidade (que a sua adolescência justificava), que se algo era humano logo não podia ser científico e se algo era científico por sua vez não podia ser humano.&lt;br /&gt;Não fazia muito tempo que tudo havia começado, certa noite não conseguiu dormir. Sentia seu corpo pesar e não agüentava seu próprio peso, seus músculos enrijeceram-se e sua pele tornou-se gélida, como morta.&lt;br /&gt;Seu corpo foi tomado por uma forte dor, todo ele, da cabeça aos pés, a dor, contudo não era uniforme, algumas partes doíam mais do que outras e a dor mais forte era uma pressão que sentia sobre o peito, parecia que apertavam-lhe e depois soltavam, em seguida apertavam de novo, isso doía de uma forma estranha, parecia que tinha um líquido gelado circulando dentro dela com força e que a qualquer momento seu peito ia explodir e esse líquido ia jorrar de maneira furiosa.&lt;br /&gt;Sentia uma espécie de cócegas, uma coceira sob o peito, que pulsava e pulsava. Como coçar algo que está sob o peito? Por vezes tentou mas... bem, sabia que era impossível tocar sua própria alma. E desde quando cócegas pulsa?&lt;br /&gt;Cócegas era um nome apenas, assim como coceira, pulsação, sofrimento, era algo que ela imaginava próximo do que sentia e falava (ou melhor, nessa época ela ainda não falava sobre isso, apenas pensava, mas pensava em palavras, apenas mais tarde foi obrigada a falar para a psicóloga, a psiquiatra, o cardiologista, ela bem que tentou mas ninguém a compreendia, na verdade, cada um compreendia da maneira que queria, segundo seus próprios conceitos de cócegas ou sofrimento) como uma metáfora, foi aí que ela percebeu que tudo são metáforas. A metáfora da dor por exemplo, “estou com dor de cabeça” dizia às vezes (nossa amiga era enxaquecosa) e as pessoas entendiam que algo em sua cabeça a incomodava, e as pessoas imaginavam que ela sentia dor, mas...elas não sentiam dor, digo, quando ela falava “estou com dor de cabeça” as pessoas ao redor jamais apreendiam exatamente o que queria dizer essa dor de cabeça, a mesma coisa não ocorria no mesmo instante com a cabeça delas e elas supunham apenas, o que se passava com a cabeça de nossa amiga.&lt;br /&gt;Por vezes estas mesmas pessoas sentiam dores de cabeça também, evidentemente estas dores não eram iguais, umas eram mais intensas? Outras latejantes? Agudas?&lt;br /&gt;Talvez.&lt;br /&gt;Talvez fosse correto dizer que algumas cabeças doíam mais?&lt;br /&gt;Talvez.&lt;br /&gt;Mas a questão não era essa, não era isso que incomodava a nossa amiga, a questão que a angustiava era aparentemente muito mais simples, (vejam bem, aparentemente), umas cabeças doíam mais, outras cabeças doíam menos, diversas cabeças sentiam diversos tipos de dores umas diferente das outras, porém...&lt;br /&gt;“Será (e pensava nisso com um quê de paranóia, como se conspirassem, se eles conspirassem o tempo todo, quem quer que fossem ‘eles’) que quando as pessoas falavam em dor, será que elas se referiam à mesma coisa?”&lt;br /&gt;Pois ela não sabia (e pensava nisso com muito mais sinceridade que as outras pessoas) o que é que se passava com a cabeça dos outros, dizia: “estou com dor de cabeça” ou ouvia alguém dizer “estou com dor de cabeça”, mas jamais saberia se o que acontecia com a cabeça daquela pessoa quando ela dizia que sentia dor de cabeça era o mesmo o que ocorria com a cabeça dela quando ela dizia o mesmo.&lt;br /&gt;Ouviu o diagnóstico com a mesma serenidade que um condenado à morte que já não suporta mais viver, tafofobia era um nome feio, exatamente como ela imaginava seu pânico, bem feio, como as suas unhas arranhando a tampa do caixão (e para ela não havia nada mais feio que a tampa de um caixão), porém não servia de conforto ouvir um nome para a sua dor, ou melhor, para o seu medo, afinal era medo mesmo? Não seria dor?&lt;br /&gt;Não gostava de sua psiquiatra como não gostava de ninguém a quem tinha que expor as suas angústias, no início ela achava que se fizesse isso, se criasse coragem de contar a alguém, não qualquer alguém, como um amigo por exemplo, mas um profissional, um alguém especializado para lidar com essa situação, esse alguém poderia ajudá-la, socorrê-la, imaginava que esse alguém faria isso com o mesmo carinho de um amigo, porém sob os auspícios da medicina ou uma outra ciência qualquer, e que esse carinho, legitimado pela ciência, seria eficaz, mais eficaz que os carinhos dos seus amigos, que nunca foram suficientes, embora eles se esforçassem.&lt;br /&gt;Com a psicóloga a conversa era “menospior”, digo, com a psicóloga havia conversa, ao menos, ela não narrava apenas os seus sintomas mas também as suas angústias, o que fazia com que às vezes ela sentisse mais raiva da psicóloga do que da psiquiatra, uma vez que a conversa com a psicóloga ia mais além a responsabilidade dela era maior, pensava.&lt;br /&gt;_ Eu sei por que eu sinto fome, mas eu não sei por que eu sinto medo, entendeu?&lt;br /&gt;_ Quando você descobrir o porquê as coisas vão melhorar...&lt;br /&gt;E era aí que ela divergia com a psicóloga, porque ela sabia, ela sabia melhor do que ninguém que não havia um porquê, e essa idéia lhe dava mais medo que o seu próprio medo.&lt;br /&gt;Não havia um porquê...&lt;br /&gt;Outro problema que ela enfrentava com a psicóloga era que esta concordava com tudo o que dizia a psiquiatra, como se a psicologia fosse uma ciência inferior que servisse apenas para colocar poréns no diagnóstico da psiquiatria e amenizar um pouco as coisas, mas esse era o papel dela, pintar uma fachada de humanidade no trabalho da psiquiatra, amenizar com frases de efeito e de auto-ajuda os mesmos diagnósticos e dizer “não se preocupe com os remédios que a medicina te obriga a tomar, a psicologia está aqui para não permitir que você fique viciada, não mais viciada do que o necessário...”&lt;br /&gt;Na realidade esta era a grande diferença, do ponto de vista dela, entre a psiquiatria e a psicologia, a primeira era mais radical, afastava todo mundo do trabalho, enchia de remédios e retirava o mal do seio da sociedade, mandando os “loucos” para os hospícios e manicômios, isso devia ser pouco rentável, do ponto de vista do capitalismo, todo mundo afastado do trabalho, menos mão de obra, mais gastos com saúde e previdência, deve ter sido assim (pensava a nossa amiga) que surgiu a psicologia, seu impacto na sociedade era menos danoso do ponto de vista da produção, ela domesticava os loucos, adaptava, mas não ousava romper com a psiquiatria pois necessitava dos seus sedativos, era o plano perfeito, um seda e o outro manipula.&lt;br /&gt;À dor no peito (ou cócegas, coceira, pulsação, chamem do que quiserem) seguia-se uma tristeza profunda, que alguns minutos depois era adicionada de uma forte dose de pânico, um pavor que lhe fazia tremer tanto que chegava a bater o queixo, seu corpo ficava cada vez mais frio e os pêlos do seu corpo se arrepiavam conforme sentia aquele ventinho gelado (aquele soprado pelos fantasmas) subindo das costas à nuca.&lt;br /&gt;Tremia cada vez mais e tinha fortes espasmos, às vezes era uma perna, às vezes era um braço, mas às vezes era o corpo todo que se agitava num grande espasmo tão terrível como um orgasmo às avessas.&lt;br /&gt;Seus pesadelos eram tão feios que tinha medo de fechar os olhos até durante o dia, se ela pudesse parava até de piscar, pois pensava que em cada pequeno espaço de escuridão poderia ver algo tão feio, deformado, podre, que a deixaria assustada por várias horas.&lt;br /&gt;A hora de dormir era terrível e ela tentava não fazê-lo, suas noites eram tensas e ela passava o dia com aquela aparência mórbida, pálida, de olheiras profundas, feia mesmo, como jamais se imaginou.&lt;br /&gt;Sentia tonturas, enjôos, além das incontáveis dores, mas o pior era o medo, nenhuma dessas sensações físicas era tão terrível quanto o seu medo.&lt;br /&gt;Medo era um eufemismo, ela decidiu que não havia uma palavra possível para o que ela sentia e que qualquer tentativa de criá-la seria apenas uma vulgarização, achava as palavras pânico e desespero as metáforas mais próximas o possível do que sentia e medo, o eufemismo mais vulgar, como “um medinho qualquer”.&lt;br /&gt;Voltemos à hora de dormir, porém...&lt;br /&gt;Esta era a parte mais terrível do dia, a hora em que as coisas aconteciam de fato.&lt;br /&gt;Por que ela não procurou uma religião? Por que os deuses não vieram ao seu socorro?&lt;br /&gt;Ela procurou sim, embora ela não acreditasse, ela rezou, embora não fosse esse o seu hábito, naquela noite ela pediu, ela gritou, ela chorou...&lt;br /&gt;Mas nada, ninguém veio em seu socorro.&lt;br /&gt;E ela sabia (nossa amiga sabia de muitas coisas que as outras pessoas não sabiam) que se houvesse algo além do nada, esse porquê que ela tanto procurou, isso jamais aconteceria, nem com ela, nem com ninguém, ela sabia que se não havia nada, nenhum porquê, tudo o mais terrível que ela pudesse imaginar era possível, e não havia nada a que ela pudesse recorrer, nem um lugar para fugir, ninguém por quem gritar, ninguém viria te socorrer no dia em que ela fosse enterrada viva.&lt;br /&gt;Porém ela não imaginava que a realidade pudesse ser tão mais assustadora que o sonho, isso ela só percebeu quando aconteceu, nossa amiga não imaginava que a tampa do caixão era tão mais feia vista de dentro e que o barulho do arranhar fosse tão mais assustador, ela sempre teve razão, era uma metáfora, um eufemismo, seu pânico era algo banal perto do que sentia agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Audrei Teixeira de Campos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-8773522015283629866?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/8773522015283629866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/tafofobia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/8773522015283629866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/8773522015283629866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/tafofobia.html' title='Tafofobia'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-549822977419764141</id><published>2009-07-17T16:59:00.000-07:00</published><updated>2009-11-19T11:06:30.431-08:00</updated><title type='text'>Insípido, Inodoro, Invisível</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_EGWP87m5QVc/SwWW8lxeLMI/AAAAAAAAAFg/QbOXs_l7Ye4/s1600/audrei.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405892895404076226" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_EGWP87m5QVc/SwWW8lxeLMI/AAAAAAAAAFg/QbOXs_l7Ye4/s200/audrei.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Insípido, Inodoro, Invisível&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;Já não sentia mais o gosto do café e o jornal parecia-lhe desinteressante, como se os fatos, quaisquer que fossem, tivessem perdido a importância.&lt;br /&gt;Por que fumar? Por que não fumar? _ Pensou.&lt;br /&gt;Ele largou o isqueiro sobre a mesa e atirou o cigarro no lixo.&lt;br /&gt;Resolveu aceitá-lo, por mais doloroso que fosse, e levá-lo às últimas conseqüências.&lt;br /&gt;Deus não existe!&lt;br /&gt;O Amor tampouco existe, nem a felicidade ou a sorte, ou os sorrisos que costumava ver.&lt;br /&gt;Nem mesmo a própria vida existia.&lt;br /&gt;O que fazer?&lt;br /&gt;Não sabia. Tinha fome, mas de repente havia se tornado desinteressante comer.&lt;br /&gt;Podia ouvir música, beber, qualquer coisa, precisava esquecer.&lt;br /&gt;Não podia mais suportar aquela angústia, mas havia decidido encarar os fatos e levá-los às últimas conseqüências.&lt;br /&gt;Sentia que era a sua hora e ele era o líder, precisava criar o Amor, a Felicidade e os sorrisos nos rostos das pessoas, precisava mudar o mundo e criar a vida, nada existia, nada era...e ele precisava fazê-lo...&lt;br /&gt;...Sozinho.&lt;br /&gt;Esta palavra deu-lhe medo, sentiu-se desamparado, atirou-se na cama e cobriu a cabeça. Seu corpo tremeu, sentia seu coração palpitar de modo desenfreado, suas mão suavam e sua barriga tornara-se gélida.&lt;br /&gt;Pânico. Abatimento. Devia fazê-lo. Não podia fazê-lo. Não sozinho.&lt;br /&gt;Sozinho. Esta palavra rodava em sua cabeça e seus ouvidos doíam como se uma espada estivesse penetrando-lhes.&lt;br /&gt;Decidiu-se por fazer. Confusão. Sua mente girava. Decidiu o que fazer, seu corpo tremia cada vez mais, quase que numa convulsão. Estava ébrio, estava sóbrio, tanto fazia, era a mesma coisa.&lt;br /&gt;Levantou-se rapidamente, foi até o criado-mudo, pegou sua arma e num gesto brusco, sem piscar, ele fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;color:#993300;"&gt;Audrei Teixeira de Campos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;                                  &lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:130%;color:#993300;"&gt;professora , escritora, historiadora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-549822977419764141?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/549822977419764141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/insipido-inodoro-invisivel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/549822977419764141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/549822977419764141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/insipido-inodoro-invisivel.html' title='Insípido, Inodoro, Invisível'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_EGWP87m5QVc/SwWW8lxeLMI/AAAAAAAAAFg/QbOXs_l7Ye4/s72-c/audrei.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4570517398598587823.post-3915988777991025399</id><published>2009-07-17T16:51:00.000-07:00</published><updated>2009-07-17T16:54:33.477-07:00</updated><title type='text'>Algumas considerações sobre o mundo atual desde um parágrafo do “Frankenstein” de Mary Shalley</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Marco Aurélio P. Maida&lt;br /&gt;Sócio Fundador da APROFAT&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;(Associação dos Professores de Filosofia do Alto Tietê)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para falar sobre o mundo atual eu penso que podemos recorrer a vários recursos, um deles é o passado, pessoas que previram o mundo atual e tentaram expressa-lo através da ficção, ou seja, o virtual, possibilidade do real. A previsão do mundo tem muitos elementos para reflexão, podemos até afirmar que em certas circunstancias, apresenta tantos elementos quanto a percepção contemporânea. Afirmo isso porque algumas pessoas conseguiram antever as conseqüências que as ações de seu tempo promoveriam nesse em que vivemos. Não pretendo afirmar que a história é determinada e algumas pessoas “iluminadas” conseguem ter como dado revelado a previsão dos seus desdobramentos, mas afirmo que algumas pessoas conseguem olhar a forma de pensar/agir de seu tempo e, a partir daí lançar luzes para antever possíveis comportamentos contemporâneos.&lt;br /&gt;O livro de Mary Shalley “Frankenstaein” apresenta o drama de seu tempo e também contemporâneo do humano em confronto com a sua fugacidade e a biotecnologia como recurso para superar tal drama.&lt;br /&gt;Quero parafrasear um parágrafo do dito livro afim de evidenciar esse drama e a “fé” na biotecnologia e propor futuras conversas com os leitores desse texto.&lt;br /&gt;“Minha atenção se fixava em objetos cuja vista era a mais insuportável para a delicadeza dos sentimentos humanos Eu via como a bela forma do homem se degradava e se decompunha; eu assistia a corrupção da morte suceder a florescência da vida contemplava como os vermes herdavam as maravilhas do olho e do cérebro......” (Shelley, 2001. p. 59)&lt;br /&gt;Se nos é apresentado pela autora uma perspectiva otimista da vida e do ser vivo, e ainda mais dos seus sentidos que colaboram na percepção da beleza do ser humano recém nascido e do mundo que o contém. Beleza original, plena de delicados sentimentos humanos, realidades que fixam a nossa atenção e deleitam os sentidos. Porém, em um certo momento essa natureza se degenera e deixa de ser bela, envelhece, apodrece, o homem se degradava se corrompe, se decompõe enfim. Tal teatro de horrores tem o seu fim quando o narrador diz que “os vermes herdavam as maravilhas do olho e do cérebro”...&lt;br /&gt;“A Vida e a Morte me apareciam como limites ideais, que eu primeiro devia transpor, para lançar uma torrente de luz em nosso mundo de trevas. Uma nova espécie me abençoaria como seu criador e sua origem; e muitas criaturas felizes e excelentes passariam a dever a sua existência a mim.” (Shelley, 2001. p. 61)&lt;br /&gt;Mas nem tudo é perdido, ainda resta uma esperança, o ser humano através de técnica pode criar uma “Nova Humanidade” que nasce desde a sua concepção de perfeição e de sua idéia de saúde e beleza. O ser humano melhorado pela biotecnologia que faz da vida algo de manipulável, que prepara os vivos para ser segundo o que diz a autora imagem e semelhança da tecnologia que os construiu, e que deveriam a sua existência a seu criador.&lt;br /&gt;Os projetos atuais nessa ordem, chamados de projeto Genoma e Projeto Biosfera II, são expressão dessa fé.&lt;br /&gt;“Nos cálculos as coisas eram possíveis, o conceito de Biosfera II tinha sido encontrado. Afinou-se ainda mais: introduziram os vários biomas que existem na Terra, com todos os seus nichos microbianos, eliminando ao mesmo tempo a tundra ártica e a profundeza do oceano, pouco práticos. Manteve-se a floresta tropical, a savana, o deserto, o oceano, também dois biomas fabricados pelo homem, a agricultura e a cidade... A imagem na nossa Biosfera I tinha nascido Biosfera II” (Sfez, 1996. p. 189)&lt;br /&gt;Não podemos atribuir um juízo de valor apressado acerca desse fenômeno antes de discutir todas as nuances. Convido às pessoas a ler os textos citados e continuar essa conversa desde perguntas como: o que é o corpo humano? Podemos manipula-lo segundo nosso desejo?&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;SFEZ, Lucien, A Saúde perfeita, crítica de uma nova Utopia. São Paulo: UNIMARCO Editora, Edições Loyola, 1996, p.14.&lt;br /&gt;SHELLEY, Mary, Frankestein. Porto Alegre: L&amp;amp;PM Editora, 2001.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4570517398598587823-3915988777991025399?l=blogarosadopovo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/feeds/3915988777991025399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/algumas-consideracoes-sobre-o-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/3915988777991025399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4570517398598587823/posts/default/3915988777991025399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogarosadopovo.blogspot.com/2009/07/algumas-consideracoes-sobre-o-mundo.html' title='Algumas considerações sobre o mundo atual desde um parágrafo do “Frankenstein” de Mary Shalley'/><author><name>A Rosa do Povo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16134321515985900755</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-eZQZlfv7JwQ/Tccttzf3xCI/AAAAAAAAAF4/vsffy7OFE1c/s220/untitled.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
